Instituições Parceiras

INSTITUIÇÕES REALIZADORAS

ABPN, UFPEL, IFSUL, FURG/COMUF


INSTITUIÇÕES PARCEIRAS

Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN)

A Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN) começou a ser gestada após o I Encontro de Docentes e Pesquisadores e Pós-Graduandos Negros das Universidades Paulistas, em 1989, concomitante a redemocratização do Brasil.

Desde então, militantes acadêmicos e da sociedade civil vêm fomentando a produção científica de pesquisadores negros e de pesquisadoras negras nas mais diversas áreas, bem como de pesquisadores/as produtores de conhecimento ampliado sobre os estudos africanos e afro-brasileiros.

Em 2000, durante o I Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as  foi deliberada a criação da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN). www.abpn.org.br

 

Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as (COPENE)

O Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as (COPENE) teve sua primeira edição em 2000. Tem como principal intenção apresentar e discutir os processos de produção e divulgação dos conhecimentos vinculados às lutas históricas das populações negras desde as Diásporas Africanas até a atualidade.
O primeiro COPENE foi realizado de 22 a 25 de novembro de 2000, em Recife/Pernambuco. O II COPENE foi realizado de 25 a 29 de agosto de 2002, em São Carlos/SP. O III COPENE foi realizado de 06 e 10 de setembro de 2004, em São Luis/Maranhão. O IV COPENE foi realizado de 13 e 16 de setembro de 2006, em Salvador/Bahia. O V COPENE foi realizado de 29 de Julho a 01 de Agosto de 2008, em Goiânia/Goiás. O VI COPENE foi realizado de 26 a 29 de julho de 2010, no Rio de Janeiro/RJ. O VII COPENE foi realizado de 16 a 20 de julho de 2012, em Florianópolis/SC. O VIII COPENE será realizado em 2014, em Belém/Pará.

 

O I Congresso dos/as Pesquisadores/as Negros/as da Região Sul (COPENE/Sul), decorre da necessidade de aprofundar, em âmbito regional, os debates recorrentes nos Congressos Nacionais dos Pesquisadores/as Negros/as, promovidos pela Associação Brasileira dos/as Pesquisadores/as Negros/as (ABPN). A regionalidade das discussões possibilita melhorar a articulação entre as pesquisas, fortalecendo alguns aspectos que dialogam com outras inserções investigativas ao longo do país.
No presente momento, grande parte dos Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) focaliza suas discussões em torno dos dez anos da promulgação da lei 10639/03, cujo objetivo é o ensino da História e Cultura Africana e Afro-Brasileira em todos os níveis e modalidades nas instituições públicas e privadas. Contudo, ainda que esta seja uma discussão que está sendo feita de norte a sul do país no sentido de avaliar os limites e possibilidades que circulam em torno da referida lei, acredita-se que, em cada lugar, essa reflexão assume diferentes contornos.
Nos estados do sul do país — Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul —, por exemplo, discutir o impacto da lei 10639/03 nas instituições de ensino implica, igualmente, averiguar de que forma as condições fronteiriças foram concebidas. Um balanço acerca dos dez anos da lei 10639/03 se faz necessário, assim como é imprescindível apontar caminhos para a sua aplicação no contexto brasileiro e Cone Sul. Igualmente, devido ao distanciamento histórico dos países do Cone Sul, conhecer, debater, articular discussões e análises é uma forma de nos aproximarmos, visto ter a diáspora negra similaridades nos vários países.

Nesta perspectiva, a questão não se restringe à sua dimensão geográfica para com os países do Cone Sul, e tampouco no que diz respeito à rota cartográfica, cujos processos decorrentes da escravidão negra nas Américas fundaram uma africanização em solo brasileiro: acredita-se que a potência da concepção de fronteira diz respeito à ressignificação étnico-cultural forjada através das tensas relações sociais e, principalmente, do jogo das identidades que se constroem neste entre-lugar que, ao não se permitirem serem identidades assimiladas, ora do colonizador, ora do próprio sujeito subalternizado nas históricas e conflitivas relações entre escravizados e escravocratas, fundam identidades sociais e políticas. Estas identidades até hoje disputam para que o espaço social destinado à exclusão seja, sob o signo da resistência, espaço de anunciação e de outras formas, principalmente, de construir e conceber um conhecimento socialmente relevante às incansáveis lutas da população negra.

Por isso, a dimensão de fronteira é fundamentalmente compreensível como espaço de negociação identitária que acontece quando nacionalidades, dimensões socioculturais, políticas, de gênero, sexualidades, religião e outras tantas interfaces da vida humana dali emergem; estas identidades reivindicam reconhecimento e, no caso dos negros e negras das diásporas, também reparação.

Sabe-se que esta reparação não ocorre livre das relações interpessoais que, se tão somente pautadas nas lógicas, percepções e pressupostos etnocêntricos, dificilmente promovem a emancipação das amarras que impingem hierarquias de superioridade e inferioridade, porque será um ponto de vista a pensar “para” o outro e “pelo”, jamais “com” ele. Aposta-se que a reparação efetiva em termos de direitos sociais, econômicos e fundamentalmente humanos se consolidará nesta interação que se fundamenta nas alteridades que devem estar manifestas, principalmente, em diferentes concepções de saberes, conhecimentos e experiências que definem modos de entender o que é ciência ou ciências.

O produto destas relações de poder fortemente imbricadas entre diferentes segmentos étnicos tem nessas regiões fronteiriças, uma “complexidade (espacial, temporal e social) das relações raciais no padrão brasileiro: há espaços, lugares, momentos e contextos de interação nos quais, através de comportamentos (que são frutos de comandos e aprendizados) subjetivos (às vezes, bastante objetivos!) a presença negra pode ser aceita, brindada e até valorizada, ou, por outro lado, tolerada, não aceita, reprimida ou repelida” (SANTOS, 2012, p.58).
As fronteiras sulinas, enquanto limítrofes, se constituíram palco de inúmeras guerras em que corpos negros estavam na linha de frente em virtude do “status” que o processo de escravização lhes concedera enquanto pessoas que passam à condição de objeto, por isso, passível de ser facilmente expostos ao descarte. Tal violência ainda se faz presente, principalmente no que tange às ações de discriminação que assolam a juventude negra, cotidianamente vulnerável às persistentes formas de racismo que, se não se apresenta na sua dimensão física, se consolida, até tornar-se letal, através de perversos eufemismos simbólicos.
Ao lado de todas estas realidades, contraditoriamente, tem-se, também, a vasta produção de conhecimento que presta tributo à ideia de que conhecer é, igualmente, ressignificar fenômenos, circunstâncias desfavoráveis e concepções que desejam perpetuar-se enquanto verdades. Neste sentido, as africanidades que despontam resistem às fronteiras enquanto limites, e permitem, especificamente, que os estados do Sul façam um embate sagaz às tentativas branqueadoras da nação, sendo o Rio Grande do Sul um dos lugares onde foi mais intensificado o processo de colonização/branqueamento.
A lei 10639/03, em todos os contextos, tem protagonizado também, para além das fronteiras do sistema educacional, a luta por titulação das terras quilombolas, na luta das mulheres, na saúde da população negra, nos direitos negados à infância e juventude, no sentido de que a lei é um processo educativo antirracista que se faz presente em espaços formais e não formais.
O I COPENE Sul, neste sentido, faz um diálogo com as pesquisas consolidadas acerca da questão étnico-racial nos meios acadêmicos e também dialoga com os saberes vivenciais, metodológicos e investigativos da não formalidade que definem epistemologias que questionam o caráter etnocêntrico da produção que não contempla diversidade e, na esteira, restringe sua função social e política.


SANTOS, Renato Emerson dos. Sobre espacialidades das relações raciais: raça, racialidade e racismo no espaço urbano. In: SANTOS, Renato Emerson dos (Org). Questões Urbanas e racismo. Petrópolis, RJ: DP et Alli; Brasília, DF: ABPN, 2012.