Comunicações
Poderão inscrever comunicações de acordo com os eixos alunos/as de graduação e pós-graduação; professores/as de graduação e pós-graduação; e agentes de saberes populares. Cada inscrito/a poderá apresentar apenas um trabalho como primeiro/a autor/a e outro como segundo/a autor/a. Após a inscrição do trabalho, este será avaliado pela Comissão de Coordenadores dos Eixos do I Copene Sul. As propostas deverão ser avaliadas pela sua consistência, relevância e clareza, priorizando-se aquelas que se vincularem ao tema central do I Copene Sul. No dia 30 de junho de 2013 será divulgada a lista das comunicações aceitas para apresentação no Congresso. Em caso de ACEITE o/a inscrito/a poderá imprimir o seu boleto bancário no link PAGAMENTO.

Eixos
Os eixos norteiam as inscrições para a apresentação de pesquisas (concluídas ou em andamento) e de saberes populares. Caberá ao/à coordenador/a do eixo avaliar as propostas de comunicação, garantindo o ampla participação, discussão e aprofundamento das questões suscitadas. Os eixos do I Copene Sul são:

  1. África e Pan-africanismo: diáspora afro-brasileira e região sul do Brasil
  2. Linguagens: artes, literaturas e corporeidades negras
  3. Mídia e Negritude
  4. Territórios Negros: memória, organização e patrimônio
  5. Educação, ensino e diversidade étnico-racial: leis, normas e práticas educativas
  6. Políticas Públicas e Ações Afirmativas: protagonismo do movimento social negro e dimensões jurídicas
  7. Políticas de gênero e saúde da população negra
  8. Religiosidades e identidades negras
  9. Ciências exatas e tecnológicas na implementação da lei 10639/03
  10. Juventude negra e dilemas contemporâneos

EMENTAS:
1. África e Pan-africanismo: diáspora afro-brasileira e Região Sul do Brasil
Tecer um debate crítico, teórico e empírico das pesquisas que perpassem as relações entre África, Américas e Europas, desde os movimentos humanos aos pensamentos intelectuais transatlânticos; propor aos participantes descortinar os processos, bem como, os conceitos que envolvem e envolveram as formações diaspóricas das culturas negras e de cultura transnacional em consonância com as redefinições identitárias, relações internacionais e o desenvolvimento desses conceitos no Brasil e suas especificidades na região sul, aportando as últimas contribuições das pesquisas nas áreas das ciências humanas, compõem o escopo da proposta.

2. Linguagens: artes, literaturas e corporeidades negras
Visa abrir análises, reflexões e aspectos da literatura, das artes e corporeidade negras nas suas dinâmicas de troca de valores e tipos de imbricações com as culturas do sul de nosso país, como por exemplo: quais tradições do povo negro afro-brasileiro e africano, se mantém, através dos tempos? Definir “ângulos” da funcionalidade dessas expressões. Evidenciar as potências das linguagens artísticas utilizadas e geradas, pelo povo negro, nos processos educativos, em ambientes formais e não formais de educação. Expor diferenças entre a literatura negra do fim do séc XIX e início do século XX e a "Literatura do Negro", de tempos mais atuais. Traçar perfis dos/as artistas e literatos/as negros/as que utilizaram (e os/as que utilizam) as linguagens do corpo e da arte negra, na definição das características de uma estética negra, na qual estejam contidos saberes vivenciais e (e com) acadêmicos, em contraponto à dicotomia das análises da dita “crítica de arte”, dos grandes veículos de mídia e o que, dessa estética, aplica-se nas unidades públicas de ensino da região sul do país. Ilustrar em que contexto a criação literária, artística, ou a utilização da expressão da linguagem corporal negra, definem suas novas linguagens, novos papeis, significados e quais são esses. Problematizar a compreensão da literatura negra diante da pluralidade de povos, em sua maioria, advindos de culturas de tradição oral na transmissão de seus saberes de geração para geração. Evidenciar ações da mídia e dos veículos de comunicação, que explicitam o preconceito racial, quando da exposição da corporeidade negra expressada de forma deturpada e estereotipada, implicando, na maioria das vezes, na falta de mecanismos para a correção destas manifestações.

3. Mídia e Negritude
Dar visibilidade as reflexões acadêmicas sobre os processos comunicacionais no âmbito das relações étnico-raciais, articuladas com a diáspora africana e com a cultura negra da região sul do Brasil, do Uruguai, da Argentina, do Paraguai e do Chile. Nesse eixo são privilegiadas as análises sobre as práticas comunicativas pertencentes às áreas do Jornalismo, das Relações Públicas, da Publicidade & Propaganda, da Produção Cultural e da Educomunicação, de forma interdisciplinar. O eixo busca aprofundar os estudos sobre ações de comunicação observáveis em processos de interação social com diferentes suportes midiáticos (jornais, televisão, cinema, rádio, fotografia, Internet, etc.), veículos de comunicação (públicos, privados e alternativos do Movimento Negro ou de comunidades negras) e produtos midiáticos (telenovelas, revistas, cine documentário/ficção/animação, noticiário, reality show, eventos, portais, redes sociais, etc.). Prioriza tais angulações observáveis através de diferentes linguagens e nos mais diversos espaços. O eixo destaca pesquisas com problemáticas voltadas para a investigação de fenômenos comunicativos de produção, circulação e recepção das mídias articulados ao racismo midiático, relacionados as dimensões socio-identitária e a esfera do direito à comunicação. Epistemologicamente, de uma perspectiva antirracista, o eixo pretende reunir pesquisas que tenham como objeto a avaliação crítica teórico-metodológicas dos processos de investigação, projetando novos saberes que emergem das relações entre as tecnologias de informação e comunicação (TICs) e as culturas locais, regionais ou globais em época de convergência digital das mídias. Pretende-se ainda discutir criticamente os paradigmas, as teorias e os/as autores/as e seus múltiplos atravessamentos na formação humanística e técnica de profissionais de Comunicação, de forma a contribuir com a produção do conhecimento científico lançando vertentes inovadoras.

4.Territórios Negros Tradicionais: memória, organização e patrimônio
O eixo objetiva refletir no campo histórico-sócio-antropológico sobre as relações entre memória e patrimônio na organização dos espaços de sociabilidades das identidades diaspóricas negras. A partir da perspectiva de uma reconhecida cosmovisão afrodescendente, cujas realizações são realizadas em tempos e espaços fixos e transitórios, em consonância com a produção de cultura material e imaterial, esse eixo aponta para a dinâmica do aprofundamento teórico-metodológico nesse âmbito.

5. Educação, ensino e diversidade étnico-racial: leis, normas e práticas educativas
Propõe o eixo 5 o trato do tema diversidade considerada nas dimensões étnico-racial, cultural e de gênero, em suas relações com as questões de educação e ensino, enquanto fundamentais para o desenvolvimento de um currículo escolar que contemple de modo satisfatório e igualitário, em toda a extensão da Educação Básica, História e Cultura Afro-Brasileira e História e Cultura Indígena, a partir do disposto nas leis, 10.639/03, 11.645/08 inclusas nos artigos 26-A e 79-B da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. É importante que se dê destaque ao conteúdo programático expresso nas leis antes referidas, o que significa esse conteúdo para o desenvolvimento do currículo, como tem sido desenvolvido nas diferentes modalidades de Educação Básica e como vem sendo inserido nos Projetos Político-Pedagógicos, nas Propostas Curriculares e nos Planos de Estudo. Sobre as normas é de considerar-se a relevância das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, como documento-base que deve balizar as normas emitidas por Conselhos Estaduais e Municipais de Educação para os respectivos sistemas de ensino. As considerações sobre as práticas educacionais devem levar em conta tanto as que se referem à apropriação de conhecimentos relativos à História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, quanto as que conduzem à educação das relações humanas e favorecem o desenvolvimento de atitudes, posturas e valores que, conforme a Resolução CNE nº1/2004 “eduquem cidadãos quanto à pluralidade étnico-racial, tornando-os capazes de interagir e de negociar objetivos comuns que garantam, a todos, respeito aos direitos legais e valorização de identidade, na busca da consolidação da democracia brasileira.” As práticas sugeridas ou indicadas podem constituir-se em oportunidade para vivencias os valores civilizatórios africanos.

6. Políticas Públicas e Ações Afirmativas: protagonismo do movimento social negro, dimensões jurídicas e participação da população negra no âmbito da política

A implantação de ações afirmativas nas IES e Institutos Federais Tecnológicos trazem novas temáticas de pesquisa relacionadas com seus limites no acesso e permanência, a sua potencialidade como espaço de diversidade e combate ao racismo, a aplicação das leis 10.639/03 e 11 645/08 na formação dos futuros professores; neste processo assume relevância a participação do movimento social negro na pressão sobre as instituições e na construção de políticas públicas que ampliem o leque de ações do poder público, indo além das cotas sociais e raciais. Os dez anos da lei 10.639/03 podem ser analisados na perspectiva de análise das formas como os poderes públicos nas esferas estaduais e municipais têm se organizado para cumprir as determinações legais, a sua relação com o movimento social negro e as iniciativas das organizações negras como protagonistas de ações realizadas em espaços formais e informais de educação. O eixo temático também irá privilegiar trabalhos que contemplem um diálogo crítico e reflexivo sobre o tema da representação política dos negros onde possa estabelecer uma discussão sobre o envolvimento deste segmento social nas estruturas dos partidos políticos, bem como a atuação destes na arena eleitoral e o impacto do voto das candidaturas negras numa competição eleitoral. O eixo dará prioridade igualmente aos trabalhos que absorvam as questões sobre comportamento político, elites políticas e, por fim, aspectos políticos dos movimentos sociais negros.

7.Políticas de gênero e saúde da população negra
Apresentar as construções empíricas e teóricas sobre o “fazer” das mulheres negras no Brasil e na região sul, bem como, levantar os conhecimentos e o alcance das implementações oficiais relacionadas à questão da mulher e à saúde da população negra. Discutir sobre o papel da mulher negra ao longo da formação da sociedade brasileira como trabalhadora e formadora das famílias. Propor novas abordagens relativas ao perfil da mulher negra bem como, as relacionadas às culturas tradicionais e a saúde da população negra.

8. Religiosidades e identidades negras
Abordar as construções teóricas sobre as identidades negras e a espiritualidade afeta ao afrodescendente, assim como discussões e implicações no âmbito dos estudos étnico-culturais. Falar de identidade subentende, antes, tratar de identificações no desenvolvimento do afrodescendente numa sociedade com padrões eurocêntricos. A identidade se forma por um conjunto de elementos biológicos, psicológicos e sociais do indivíduo. A verificação de como isso ocorre no negro e na negra os quais se encontram numa contradição dialética entre a história individual e a história coletiva originalmente racista e discriminatória; de como é construída a auto imagem do povo negro. Da mesma forma, como acontece a manifestação religiosa negro-africana característica da espiritualidade manifesta no modo de ser e de agir no mundo do afrodescendente.

9. Ciências exatas e tecnológicas na implementação da lei 10639/03
Discutir, demonstrar e aperfeiçoar por meio de experiências práticas e pedagógicas as relações entre essa lei de ensino e a sua aplicabilidade a partir da perspectiva das Ciências Exatas e o uso das ferramentas tecnológicas. A Lei, em seu segundo artigo diz: “que os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira devem ser ministrados no âmbito de ‘todo o currículo escolar’, em 'especial' nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras". Entretanto, muitos educadores tem interpretado que esse decreto se restringe as disciplinas citadas, ao invés de atentar para sua execução em outras áreas dos currículos além das Ciências Humanas, cujas ações devem ser realizadas.

10. Juventude negra e dilemas contemporâneos
Resgatar e aprofundar o contexto histórico e as forças civilizatórias da juventude negra contemporânea e suas contribuições na quebra dos diversos estereótipos, ainda centrados preconceituosamente nos jovens afro-brasileiros discriminado e visto como um personagem neutro. Parece ser neste curto e intenso ciclo, que o jovem negro se depara intensamente com as definições de identidades, classes, gênero e raça. Uma faixa etária, que luta para desconstruir paradigmas, de modelos de humanidade negativos que foram impostos, por meio dos saberes europeizados como seres de totalidade positiva. Estudos já realizados sobre discriminação racial, aponta a juventude negra como uma fase no qual ele se percebe discriminado pelo contexto social brasileiro. Tem-se como responsabilidade uma discussão acerca de uma visão e ação, teórica e empírica sobre os valores culturais e políticos e sobretudo científicos como resgate e retorno para a juventude negra brasileira. Diante de uma realidade no mercado de trabalho, em que pessoas negras (pretas e pardas) apresentam um rendimento médio que os homens negros recebem menos de 50% do que ganham os homens brancos. As mulheres negras recebem menos que 40% do que recebem os homens brancos. As crianças e os jovens negros começam cedo no mundo do trabalho e permanecem mais tempo no mercado de trabalho recebendo bem menos. Outra situação ameaçadora é o desemprego com maior intensidade atinge as mulheres negras. O acesso as funções de direção e planejamento é restrita para ambos. Todavia, constata-se que a população negra é expressiva nas ocupações não-qualificadas, nas atividades de execução e nas atividades de apoio em serviços gerais. Refletir e apontar alternativas objetivas de promoção da igualdade de oportunidades e de tratamento, para o exercício efetivo da cidadania por meio de um trabalho reflexivo e capaz de intervir no processo de formação de uma cidadania que valorize o ser negro no mercado de trabalho, é o desafio que está colocado para todos os promotores de conhecimento.